Trabalho de Conclusão de Curso de Formação em Terapia Relacional Sistêmica

 

Título: ENEAGRAMA & DSM IV - POSSIBILIDADES

Autor: LUANA HEREK

 

INTRODUÇÃO

O diagnóstico psicológico sempre foi um assunto polêmico entre os psicólogos. Por um lado à necessidade de se diagnosticar, fazer um mapa, traçar um caminho para transcorrer, de outro lado o medo de rotular, classificar e enquadrar as pessoas. O maior medo de pensar diagnosticamente, é de que isso nos diminua como seres humanos. Vamos pensar que esse novo angulo vai nos fazer crescer como terapeutas.

"De forma geral, os psicólogos reconhecem a importância, a utilidade e a necessidade de categorizar, de buscar semelhanças e diferenças na compreensão do sofrimento humano. Por outro lado, existe o receio em comprometer a individualidade das pessoas, classificando-as". SOUZA, HEREK & GIROLDO (2000).

Na tentativa de compreender o ser humano, diferentes olhares vêm construindo a história do diagnóstico. Muitos autores já escreveram sobre o processo do diagnóstico, de diferentes formas e para diferentes fins.

O diagnóstico é uma questão delicada dentro da psicologia, se a base utilizada estiver focada na redução do humano. DELISLE (1999) ressalta a necessidade de levar em consideração que a perspectiva do diagnóstico possibilita o crescimento para os psicoterapeutas e clientes.

Os Terapeutas relacionais sistêmicos têm consciência que o número de influências que existem em qualquer sistema é tão vasto que é impossível e improvável uma descrição completa sobre as causas.

O valor do diagnóstico é auxiliar o terapeuta a descobrir o ponto de dificuldade do cliente e intervir no nível correto com técnicas apropriadas.

Se os psicoterapeutas não percebem que a avaliação do momento presente faz parte de um diagnóstico, se arriscam a não reconhecer que se faz diagnóstico dentro da psicoterapia.

Se o diagnóstico não é feito de forma consciente, perde-se a possibilidade de incluir aspectos da abordagem diagnóstica mais tradicional e ampliar a perspectiva que se tem do cliente.

É importante ressaltar que para discriminar de que maneira as pessoas são semelhantes ou não, pode-se usar padrões caracterizadores. Um exemplo disso é o DSM-IV que oferece padrões descritivos para aproximadamente 400 desordens diferentes, ampliando as possibilidades dos estados funcionais.

Outro exemplo o 'Eneagrama da Personalidade', é a aplicação do símbolo do Eneagrama especificamente ao estudo do caráter. Emergiu nos anos 70 com Oscar Ichazo e a Escola de Arica. Esse estudo descreve 9 tipos de personalidades que em muito se assemelham às descrições dos estilos de personalidade avaliados no eixo II do DSM IV.

DELISLE (1999), considera que a personalidade é uma predisposição para metabolizar eventos da vida, abstrair energia psíquica desses eventos e eliminar sua parte tóxica. À medida que uma pessoa organiza a sua vida, de forma que maximize a extração de energia psíquica dos eventos e limite a parte tóxica, tem-se um funcionamento mental ótimo.

Dessa forma, a personalidade protege o indivíduo contra algumas coisas e o deixa vulnerável a cerca de outras. A preferência refere-se aos diferentes alimentos psicológicos que o indivíduo escolhe ingerir na sua vida. Já a vulnerabilidade diz respeito à dificuldade em metabolizar certos alimentos psicológicos.

Cabe ressaltar a importância de existirem pessoas diferentes, para a variedade de experiências existentes em nossa vida.

No eneagrama, a descrição dos tipos de personalidade também se refere a vulnerabilidades e preferências com termos diferentes. Fala-se em vício psicológico primário e como podemos trabalhar no sentido de intensificar esses vícios ou neutraliza-los dependendo do nível de consciência de si mesmo e das nossas escolhas.

Para DELISLE (1999), "Personalidade é uma maneira específica e relativamente estável de organizar os componentes cognitivos, emocionais e comportamentais de uma experiência. O significado cognitivo que alguém atribui a esses eventos comportamentais e os sentimentos que acompanham esses eventos permanecem estáveis a maior parte do tempo e dão um senso de identidade individual". (DELISLE, 1999)

No eneagrama a descrição dos tipos de personalidade inclui: uma maneira de abordar a vida; descreve as características, as tendências, as preferências e a motivação de cada pessoa.

Ninguém é imune contra tudo. Estar imune a alguma coisa significa estar bem adaptado ao campo. O ponto exato do problema é o ponto onde vamos precisar de uma mudança terapêutica. Existe então uma diferença entre estilo ou tipo de personalidade e transtorno de personalidade, e que parece estar ligada à intensidade dos comportamentos e a adaptação dos mesmos ao meio ambiente e aos sistemas com os quais a pessoa se relaciona. Esse ponto de corte que marca essa diferença, em geral, está ligado ao sofrimento.

A necessidade de uma forma de avaliação universal é inquestionável, e o DSM trouxe grandes contribuições nesse sentido utilizando critérios descritivos. Muitos psicoterapeutas utilizam esse manual como ferramenta diagnóstica sem esquecer, contudo as teorias de desenvolvimento e a visão de homem de cada escola.

Muitos paralelos já foram feitos entre o eneagrama e outras formas de mapeamento da personalidade. Já foi realizado um paralelo entre o eneagrama e a Árvore cabalística, através do sistema numérico decimal e uma comparação feita por NARANJO (1996) entre os tipos de personalidade do Eneagrama e do DSM III.

A palavra Eneagrama origina-se do grego, "enneas", que significa "nove" e "grammos" que significa "pontos". É representado por um símbolo que tem uma circunferência com nove pontos e linhas que se interligam. Existe há mais de 5 mil anos e foi trazido para o ocidente neste século pelo filósofo armênio G. I. Gurdjieff. A partir dos anos 70, o mundo começou a despertar para este sistema que permite mapear os tipos psicológicos básicos do ser humano.

Os nove pontos representam nove padrões de comportamento básicos, cada qual com suas estratégias para buscar a felicidade, se relacionar com o mundo e com as pessoas. Estes nove padrões descrevem também nove maneiras distintas, embora interligadas, de interpretar a realidade ao nosso redor. Quando identificamos nosso Tipo de padrão de comportamento, começamos a perceber como estamos presos às estratégias que nos limitam, gerando atitudes mecânicas e repetidas. Presos a um padrão mecânico, utilizamos processos mentais lineares e seqüenciais, enquanto vivemos em uma realidade tríplice. Com uma percepção parcial da realidade, nos agarramos à parte com a qual mais nos identificamos, perdendo assim, a visão do todo.

O DSM IV é o Manual Diagnóstico E Estatístico De Transtornos Mentais para ser utilizado na prática clínica e em vários outros contextos como: enfermaria, ambulatório, hospital-dia, etc. Tem uma linguagem clara e universal, facilitando as pesquisas e a comunicação entre profissionais da área. Seu caráter descritivo propicia sua utilização por terapeutas de diversas abordagens e orientação clínica diferente, que após terem estabelecido uma configuração clínica no início da terapia, continuam a refletir com seus próprios sistemas sobre as causas e estrutura das patologias.

O DSM-IV possui um sistema de avaliação Multiaxial, em cinco eixos, cada um relativo a um domínio diferente de informações. Essa forma facilita a avaliação tornando-a abrangente e sistemática. Durante a reflexão desse trabalho, trabalharemos de uma forma ativa com o Eixo II. O eixo II é onde se diagnostica os transtornos de personalidade e retardo mental. Se um indivíduo apresentar mais de um diagnóstico no eixo II, todos devem ser relatados. Também pode ser utilizado para indicar aspectos mal-adaptativos da personalidade que não alcançam o limiar para um transtorno da personalidade.

O objetivo deste trabalho é refletir sobre as semelhanças e diferenças entre o Eneagrama e o DSM IV, e como esses dois instrumentos juntos, podem ser utilizados como mais uma ferramenta para auxiliar o cliente no seu processo de desenvolvimento, abrindo espaço para novas possibilidades e conexões que possam ter prosseguimento de estudo no decorrer.

 

OBSSESSIVO / EGO 1 - PERFECCIONISTA (EMPREENDEDOR)

 

Os perfeccionistas, segundo HURLEY & DOBSON (1994), centralizam sua energia em si mesmos e naquilo que os ocupa. Sentindo-se inadequados para resolver as questões do mundo, isolam-se e trabalham duro para por em ordem seu espaço particular. Sua vida interior é controlada, mas a cada mudança ele se coloca em tumulto. Os mais vigilantes conseguem separar suas necessidades dos outros, mantendo equilíbrio adequado. Se sentem presos na imperfeição e querem evitá-la. Sua motivação deficiente os leva a lutar para serem perfeitos. O problema básico de sua vida é a ordem e seu vicio psicológico primário é raiva.

O transtorno de personalidade Obsessivo Compulsivo é definido no DSM IV como: "Um padrão invasivo de preocupação com organização, perfeccionismo e controle mental e interpessoal, às custas da flexibilidade, abertura e eficiência, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos...".

São fechados e dificilmente mostram seus sentimentos e opiniões. Têm medo de sus emoções desconhecidas. Se esse controle se estende ate a intuição prejudica-lhes seu julgamento em relação às pessoas. Reprimem especialmente sua raiva.

Existem outros critérios do DSM IV para diagnosticar o Transtorno de personalidade obsessivo compulsivo: preocupação tão extensa, com detalhes, regras, listas, ordem, organização ou horários, que o ponto principal da atividade é perdido; perfeccionismo que interfere na conclusão de tarefas; devotamento excessivo ao trabalho e à produtividade, em detrimento de atividades de lazer e amizades (não explicado por uma óbvia necessidade econômica); excessiva conscienciosidade, escrúpulos e inflexibilidade em assuntos de moralidade, ética ou valores (não explicados por identificação cultural ou religiosa); incapaz de desfazer-se de objetos usados ou inúteis, mesmo quando não têm valor sentimental; relutância em delegar tarefas ou ao trabalho em conjunto com outras pessoas, a menos que estas se submetam a seu modo exato de fazer as coisas; adoção de um estilo miserável quanto a gastos pessoais e com outras pessoas; o dinheiro é visto como algo que deve ser reservado para catástrofes futuras; rigidez e teimosia;

Para HURLEY & DOBSON (1994), os perfeccionistas dão muita importância aos detalhes, são precisos e meticulosos. Eles têm uma energia instintiva bem desenvolvida, mas de pouca duração. Essa energia é uma força contida que se define quando eles a canalizam para projetos específicos ou tarefas que afetarão sua vida e do próximo. Tem dificuldade de manter o fluxo de energia consistente e moderado.

Ambiciosos, desembaraçados e estimulantes, sacrificam tempo e energia pela fidelidade aos outros e ao trabalho. A questão do tempo deve ser cuidadosa para que não se tornem egoístas e prejudiquem as relações familiares. São muito sensíveis a critica podendo se retrair ou se descontrolar frente a ela. Procuram a informação certa para fazer o certo. Sentem-se frustrados e irados quando as pessoas ou situações impede-os de realizar os projetos da forma como acham que deveria ser

Imparciais, honestos, possuem um padrão ético elevado. São justos e bons, mas as coisas devem ser do seu jeito. São pessoas ativas, corretas que querem evocar o que há de melhor em si mesmos e nos outros, sendo perpétuos professores.Mesmo depois de tomada uma decisão se consomem em dúvidas.

Como os outros não compartilham de seu padrão e de exigência e frequentemente não fazem sua parte, eles sentem-se sobrecarregados e com tendência a desistir de projetos antes de começar. Para eles sempre existe a maneira certa de se fazer tudo, tem dificuldade em tolerar opiniões diferentes a respeito dos assuntos sobre os quais tem certeza.

Para tomar decisões pesquisam e comparam, reúnem informações e as revisam para tomar a melhor decisão baseados na praticidade e bom senso. Sendo tão cautelosos por vezes tomam sabias decisões, porém outras vezes perdem oportunidades.

São lideres naturais que nos bons momentos são criativos, e nos piores são ditatoriais e teimosos. O intenso enfoque na concentração e energia deixa pouca liberdade para criatividade e a auto-expressão.

Quando são muito exigentes e não se consideram a altura de sua exigência tendem a depressão e falta de auto-estima, desenvolvem a autopiedade e a autocrítica. Vencidos pela desesperança, não enxergam seus talentos nem qualquer opção para o futuro. No DSM IV também são relatados como transtornos associados do Transtorno de personalidade obsessivo compulsivo, os transtornos de humor e de ansiedade.

Se conseguissem tolerar a desordem natural, desenvolveriam a paciência, ao invés disso consomem sua enorme energia limpando toda a desordem. Acreditam que criar consertar, realizar transforma-os em pessoas valiosas. Quando se tornam mais leves a si mesmos e ao mundo, deixam a perfeição para buscar mais o viver. Vêem os pontos fracos em si e nos outros com humor. Concentram-se no desenvolvimentos dos talentos, que lhe permitirão expressar-se de forma criativa, e aproveitam a vida.

 

DEPENDENTE / EGO 2 - PRESTIMOSO

 

As pessoas desse número são centradas no afeto, relatam HURLEY & DOBSON (1994), possuem energia bem desenvolvida para os relacionamentos e se concentram nos sentimentos e necessidades dos outros, sentindo-se capaz de lidar com os problemas de qualquer pessoa e da vida. Assumindo sua postura dependente, observa as reações dos outros antes de determinar sua própria resposta.

Envolvido assim na vida dos outros, esquiva-se de suas próprias necessidades. A motivação deficiente faz com que eles se empenhem em sentir-se necessários aos outros, seu problema básico é achar-se auto-suficiente e o vício primário é o orgulho.

Se observarmos a definição da personalidade dependente no DSM IV encontraremos:

"Uma necessidade invasiva e excessiva de ser cuidado, que leva a um comportamento submisso e aderente e a temores de separação, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos...", para HURLEY & DOBSON, o prestimoso acredita que o mundo está cheio de pessoas carentes que eles podem socorrer, muitas vezes essa carência é uma imagem espelhada deles mesmos. Evitam experenciar sua carência pessoal e suas necessidades, pois seria muito doloroso. Sua busca é obter amor dos outros. A ilusão de que cuidar dos outros da sentido a sua própria vida impede-os de conhecer a si próprios.

O DSM IV utiliza, além da definição acima alguns critérios para descrever o transtorno de Personalidade dependente: dificuldade em tomar decisões do dia-a-dia sem uma quantidade excessiva de conselhos e reasseguramento da parte de outras pessoas; necessidade de que os outros assumam a responsabilidade pelas principais áreas de sua vida; dificuldade em expressar discordância de outros, pelo medo de perder o apoio ou aprovação; dificuldade em iniciar projetos ou fazer coisas por conta própria (em vista de uma falta de autoconfiança em seu julgamento ou capacidades, não por falta de motivação ou energia); vai a extremos para obter carinho e apoio de outros, a ponto de voluntariar-se para fazer coisas desagradáveis; sente desconforto ou desamparo quando só, em razão de temores exagerados de ser incapaz de cuidar de si próprio; Busca urgentemente um novo relacionamento como fonte de carinho e amparo, quando um relacionamento íntimo é rompido; preocupação irrealista com temores de ser abandonado à sua própria sorte.

Para HURLEY E DOBSON (1994), os prestimosos são precários tomadores de decisões, pois tem a tendência de satisfazer a pessoa que está na sua frente no momento, e não medem conseqüências para isso. Preferem que outra pessoa tome a decisão, ou seja, tomada em grupo. Adiam frequentemente a decisão até que ela não seja mais necessária ou alguém a tome. Assim pode dizer a pessoa que está na sua frente tudo que ela quer ouvir sem assumir nenhuma responsabilidade, baseando então suas decisões no que os outros querem e não na realidade objetiva.

Em geral transferem para os outros responsabilidades administrativas e organizacionais. Não se sentem confortáveis na posição de liderança, nem com as expectativas dos outros sobre como um líder deve estabelecer metas e diretrizes.

Negam seus próprios desejos e chamam os outros de egoístas secretamente quando esses vão atrás de suas necessidades, nunca olham para dentro de si por medo de nada achar. São admirados por eles mesmos e pelos outros por sua generosidade. Essa imagem de santo camufla a expectativa dele de que todos esqueçam qualquer falha ou fraqueza sua.

Não é intelectual, tem dificuldades em desenvolver a objetividade, e em ativar as habilidades analógicas, acha que dar é mais importante que pensar, só estudam tempo necessário para aplicar o conhecimento que vai servir ao outro. Ocupam-se das necessidades da pessoa a sua frente, dando-lhes o que querem. Acham que o ato dar é elevado à posição mais importante e seguem servindo os outros.

A regra para os relacionamentos é a intimidade de mão única onde os outros revelam tudo e são apoiados por ele e ele mesmo revela muito pouco sobre si mesmo. Gostam de aconselhar e influenciar a vida dos outros, no dia a dia querem estar no centro do palco.

Derramam elogios e demonstrações de sentimento por estarem à procura de alguém que faça o mesmo por eles. Quer obter amor correspondendo às necessidades dos outros.

O prestimoso usa meios sutis para criar dependência nos outros, e de forma socialmente aceita minimizam os dons e conquistas dos outros. O número de pessoas que dependem dele e com qual intensidade define sua auto-estima. Querem em troca de sua generosidade, apreço, gratidão e agradecimento. Buscam dessa forma não serem abandonados.

Conforme se movem dentro do eneagrama podem desenvolver seu potencial ficando abertos à humildade quando encaram sua carência. Conscientizam-se dos próprios sentimentos, e passam a identificar e satisfazer suas necessidades. A solidão é uma mina de ouro para sua autodescoberta. Tem a recompensa de tratar os outros com respeito e serem tratados com dignidade e valorizados como pessoas, sem serem explorados.

Quando toda sua ajuda não é reconhecida por quem a recebeu, ou quando são rejeitados movem-se na direção contraria, tornando-se vingativos. Atacam por meio de calúnias, se prendem a atitudes julgadoras e usam insinuações. Podem desenvolver transtornos associados como: Transtorno de humor, Transtorno de ansiedade, Transtorno de ajustamento; Transtorno de personalidade boderline, esquiva ou histriônica.

 

NARCISISTA / EGO 3 - BEM-SUCEDIDO

 

Para HURLEY & DOBSON (1994), as pessoas com ego 3 reprimem seus desejos por relacionamentos para que possam sustentar uma relação harmoniosa com o mundo. Vêem a vida como um jogo, e querem ser ganhadores, fazem da cara de pau uma arte.

Tem um guarda roupa interior que usam para projetar a imagem que desejam sempre reprimindo seus verdadeiros sentimentos. Para não se tornarem vulneráveis não permitem serem vistos sem mascaras. Sentem-se presos numa sensação de fracasso pessoal e querem evitá-lo. A motivação deficiente faz com que se empenhem em sentir-se bem sucedidos. O problema básico é a produtividade e o vicio psicológico primário é o engodo.

O Transtorno de personalidade Narcisista descrito no DSM IV é definido como: "Um padrão invasivo de grandiosidade (em fantasia ou comportamento), necessidade de admiração e falta de empatia, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos...".

Além dessa definição existem outros critérios para descrição do Transtorno de personalidade narcisista, a seguir: Sentimentos grandiosos da própria importância, preocupação com fantasias de ilimitado sucesso, poder, inteligência, beleza ou amor ideal, crença de ser "especial" e único e de que somente pode ser compreendido ou deve associar-se a outras pessoas (ou instituições) especiais ou de condição elevada, exigência de admiração excessiva, possui expectativas irracionais de receber um tratamento especialmente favorável ou obediência automática às suas expectativas, explorador em relacionamentos interpessoais, isto é, tira vantagem de outros para atingir seus próprios objetivos, ausência de empatia: reluta em reconhecer ou identificar-se com os sentimentos e necessidades alheias, frequentemente sente inveja de outras pessoas ou acredita ser alvo da inveja alheia, comportamentos e atitudes arrogantes e insolentes.

Entre esses critérios e a descrição do ego 3 - bem sucedido do eneagrama de alguns autores existem muitas semelhanças.

Sempre atentos a como os outros o percebem, tem aparência bem cuidada para parecer bem sucedido, medo de fracassar, perder o respeito e a aprovação e tem um ar de confiança "estou no topo do mundo". Tem habilidade de descobrir os motivos ocultos dos outros, que junto com a esperteza inata proporciona saída em qualquer situação.

Vêem o mundo em termos de metas a serem atingidas, a tomada de decisões é natural, fácil e impulsiva, são enérgicos e super realizadores, produzem para serem respeitados, a sua identidade está no que faz, criticar seu desempenho é rejeitá-lo.

Organizados, são exigentes consigo e com os outros. A liderança é parte natural, são eficientes em grupo e sabem construir a união. Em seu anseio pelo sucesso desconsideram as contribuições dos outros, quando se dão conta apelam para seu charme e magnetismo para aliviar a situação.

Tem dificuldade com atividades rotineiras, não gostam de ser interrompidos no meio de uma criação, a qual fazem sozinhos. São competitivos querem sempre o primeiro lugar, pois pretendem ser lembrados.

Tem muitos problemas de relacionamento, estando tão ocupados em criar e produzir, não percebem a frustração se acumulando entre seus pares até que entrem em ebulição. Atropelam as decisões alheias se acreditam que tem um jeito melhor. Se se convencerem da veracidade de uma ilusão, convencem os outros de que a ilusão é real, e de que tudo em sua vida é bem sucedido.

Quando não conseguem alcançar seus objetivos, sentem-se fracassados e sem a admiração dos outros, ficam inativos. Pode ser inatividade física, comportamental ou interior. Sentindo-se vazios, com autocrítica elevada desenvolvem uma agressividade passiva, não confiam em si ou em seus sentimentos e caem na desesperança. Podem desenvolver transtornos associados como: humor deprimido, Transtorno depressivo maior, Distímico, Humor hipomaníaco, Anorexia, Transtorno de substância (cocaína).

O trabalho é na direção de aceitar as falhas, pois dessa forma desenvolvem a integridade, direcionam sua energia para motivar e unir os outros. Quando desenvolvem consciência da importância do grupo, a prioridade passa a ser a valorização das pessoas ao invés da conquista dos objetivos. Com maior consciência de sua bondade e dignidade, reservam tempo para relaxar e desenvolver relacionamentos pessoais.

 

DISTÍMICO / EGO 4 - INDIVIDUALISTA

 

Segundo HURLEY & DOBSON (1994), a pessoa individualista é sensível, alimenta tanto sua vida interior que fica sem espaço para qualquer coisa. Considera seu passado uma tragédia e coloca a responsabilidade das situações no meio externo. Assume facilmente o papel de vítima, dissipa energia em cima do passado, tendo dificuldade em viver o presente, oscila entre a tragédia e a fantasia.

Protege-se pelo pessimismo, tem expectativas tenebrosas dos outros e da vida. Ficaria arrasado se soubesse que é conhecido por seu negativismo. Pelo anseio de ser aceito, colocar-se de maneira a ser rejeitado. Sentem-se presos em sua mediocridade e querem evita-la, seu problema básico é conseguir o insight e o vício psicológico primário é a inveja.

Não toma decisões facilmante e nem rapidamente, mas acaba por tomá-la. Uma vez tomada à decisão, irá defende-la. Seu estilo de liderança engloba uma mistura de relacionamento pessoal, sensibilidade, criatividade e temperamento explosivo. Delegam rapidamente, mas tomam como ofensa pessoal qualquer incompetência. Quer acima de tudo ser reconhecido e compreendido, mas também tem medo das responsabilidades e exigências dos relacionamentos pessoais.

Acredita que a vida tem sido muito dura com ele, e que o mundo espera demais dele, dessa forma as mudanças devem ficar por conta dos outros. Se isso não acontece, acredita que um dia a pessoa reconhecerá o que perdeu.

Ficam assustados em envolver-se no mundo por causa da falta de confiança na sua capacidade de realização, temem ser obrigados a fazer concessões e se contentar com a mediocridade.

Sente-se seguro e amado quando recebe atenção exclusiva por longos períodos de tempo, tem necessidade de serem compreendidos, e ser admirados pelos seus dons e talentos. Isso surge de um sentimento de inferioridade que é o maior obstáculo a ser transposto.

No DSM IV o transtorno que mais está correlacionado com o Ego 4 é o transtorno distímico, que está localizado no eixo I. Esse transtorno clínico é definido como: "Humor cronicamente deprimido que ocorre na maior parte do dia, na maioria dos dias, indicado por relato subjetivo ou observação feita por outros, por pelo menos 2 anos".

Outros critérios são a presença, enquanto deprimido, de duas ou mais das seguintes características: apetite diminuído ou aumentado, insônia ou hipersonia, baixa energia ou fadiga, baixa autoestima, fraca concentração ou dificuldade de tomar decisões.

Na questão de diagnóstico diferencial o manual relata que com frequência existem evidências de um distúrbio da personalidade no eixo II e que ambos os transtornos devem ser diagnosticados. Isso nos faz pensar que o transtorno associado pode estar relacionado com o movimento que a pessoa faz no eneagrama.

Se o ego 4 movimentar-se na direção do ego 2 pode assumir características mais dependentes, ou seja, quando não recebem atenção suficiente, ou não conseguem possuir e acalentar as qualidades que os fazem especiais se apegam a outra pessoa tentando ser o centro de sua vida. Expressão grandes reações afetivas e esperam o mesmo em troca, e impõem culpa a quem não se importa com eles.

Por outro lado, movimentando-se na direção do ego 1 se envolvem em projetos e dirigem sua atenção para fora, assim sua energia é ativada. Se enfrentassem seus sentimentos e necessidades não cumpridos encontrariam a serenidade, que lhes permitiria ver seus talentos e forças e criar uma vida mais equilibrada e produtiva.

 

ESQUIZÓIDE / EGO 05 - OBSERVADOR

 

Para HURLEY E DOBSON (1994), os observadores são orientados para os fatos e concentram seu pensamento e suas articulações no mundo exterior. Sua meta é a objetividade, vive no mundo das idéias como se esse fosse o exterior. Mantém uma distância das coisas, que acreditam, permite ver tudo e todos com objetividade, mas essa distância desliga-os de suas verdadeiras forças de comunicação, sensibilidade e versatilidade. Depois de reunir os dados se retiram para analisar de uma maneira lógica para eles.

Sentem-se presos em um vazio pessoal, lutam contra isso, e sua motivação deficiente é encher-se de conhecimento. O problema básico de sua vida é conhecer e o vício psicológico primário é a avareza.

O transtorno de personalidade esquizóide é descrito no DSM IV como: "Um padrão invasivo de distanciamento das relações sociais e uma faixa restrita de expressão emocional em contextos interpessoais, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos".

Além dessa descrição existem outros critérios como: não deseja nem gosta de relacionamentos íntimos, incluindo fazer parte de uma família; quase sempre opta por atividades solitárias; manifesta pouco, se algum, interesse em ter experiências sexuais com outra pessoa; tem prazer em poucas atividades; não tem amigos íntimos ou confidentes, outros que não parentes em primeiro grau, mostra-se indiferente a elogios ou críticas de outros e demonstra frieza emocional, distanciamento ou afetividade embotada.

É possível encontrarmos muitas características comuns entre a descrição do ego 5, observador, que alguns autores fazem e o Transtorno de personalidade esquizóide do DSM IV. Para HURLEY & DOBSON (1994), na questão do tempo, os observadores consideram que é mais aproveitado quando observam pensam e articulam para encontrar significados, só assumindo compromissos depois desse tempo, o que muitos consideram demais.

Tem medo que os compromissos tirem seu tempo de solidão, são planejadores competentes e cuidadosos, sempre buscando maior clareza e simplicidade nas situações, seus recursos são muitos para isso e eles contornam qualquer obstáculo.

Tem muito prazer em ser reconhecidos sábios, acumulam conhecimentos e só compartilham quando lhe fazem as perguntas certas. Como o conhecimento preenche o espaço vazio, em geral tem grandes bibliotecas, tornando-se especialistas em alguma área.

No relacionamento familiar mantém uma distância, embora presente fisicamente, é imparcial nas confusões, permanecendo indiferente. Podem parecer distantes, ausentes e anti-sociais. Tem dificuldades em perceber e expressar os sentimentos, não os acham importantes, e deixam os outros confusos sobre como reagir a eles. Se perceberem reações negativas ou hesitantes em relação a eles, se retraem.

A postura de recolhimento os leva para dentro de si mesmos, onde acreditam estar a força para conduzi-los pela vida. Registram as percepções de tudo que lhes interessa, para depois sozinhos analisa-las, mas não se apercebem que uma outra pessoa de outro angulo pode chegar a conclusões diferentes.

Quando as exigências do envolvimento ameaçam sua liberdade, quando fica sem tempo para pensar e são coagidos a ceder seus conhecimentos precipitadamente, afastam-se cada vez mais da realidade, criam fantasias intelectuais que são rejeitadas pelos outros, e negam seus sentimentos de solidão, rejeição e dor, e não percebem sua recusa em envolver-se com a vida.

Se encarassem o vazio pessoal, se abririam para a generosidade, compartilhando conhecimentos com os outros. Quando começam a se envolver no mundo ao redor, podem se tornar professores valorizados. Ativando sua energia, descobrem que os relacionamentos espontâneos dão plenitude a vida, e a gratidão revela uma sensibilidade profunda com as pessoas e seus problemas.

 

PARANÓIDE - EVITANTE / EGO 6 - PROTETOR

 

As pessoas com ego 6 são, segundo HURLEY E DOBSON (1994), pessoas orientadas para os fatos e que reprimem sua habilidade de tomar decisões para manter o relacionamento harmônico com os outros. São sociáveis, e buscam fazer parte de um grupo estável com valores definidos, compensando sua falta de confiança que se apresenta por se sentirem inseguros. Sentem maior segurança quando obedecem regras e leis, tendo dificuldade em encontrar soluções criativas.

Sentem-se preso a uma sensação de desvio da lei e querem evitá-la. Sua motivação defeituosa os leva buscar segurança através do cumprimento das regras. Seu problema básico de vida é arriscar-se e o vício psicológico primário é o medo, especialmente de desagradar e fazer algo errado.

Na definição do DSM IV o Transtorno de personalidade paranóide se caracteriza por: "Um padrão de desconfiança e suspeitas invasivas em relação aos outros, de modo que seus motivos são interpretados como malévolos, que começa no início da idade adulta e se apresenta em uma variedade de contextos".

Além dessa definição existe uma série de outros critérios descritos a seguir: suspeita, sem fundamento suficiente, de estar sendo explorado, maltratado ou enganado pelos outros; preocupa-se com dúvidas infundadas acerca da lealdade ou confiabilidade de amigos ou colegas; reluta em confiar nos outros por um medo infundado de que essas informações possam ser usadas maldosamente contra si; interpreta significados ocultos, de caráter humilhante ou ameaçador, em observações ou acontecimentos benignos; guarda rancores persistentes; percebe ataques a seu caráter ou reputação que não são visíveis pelos outros e reage rapidamente com raiva ou contra-ataque; tem suspeitas recorrentes, sem justificativa, quanto à fidelidade do cônjuge ou parceiro sexual.

A relação existente entre o protetor/ego 6 e o paranóide parece estar no problema básico de vida, o arriscar-se. Como tem uma sensação de desvio da lei, quando projetam essa sensação no meio, passam a ficar desconfiados e a se protegerem.

Usam padrões e leis para manter os outros na linha. Como as leis são importantes, podem deixar de fora pessoas que não sigam as leis ou tomar como inimigos grupos com leis conflitantes. Quando se defrontam com qualquer oposição se tornam teimosos e hostis.

Quando ocorrem mudanças inesperadas ou são rejeitados em um grupo fechado, usando a preocupação controlam as pessoas e os relacionamentos a ponto de sufocá-los.

Fazendo outras relações, considerando o vício psicológico primário, o medo, podemos também relacionar esse tipo de personalidade com o Transtorno de Personalidade Evitante. A definição desse transtorno no DSM IV é a seguinte: "Um padrão invasivo de inibição social, sentimentos de inadequação e hipersensibilidade à avaliação negativa, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos".

Além dessa definição existem outros critérios: evita atividades ocupacionais que envolvam contato interpessoal significativo por medo de críticas, desaprovação ou rejeição; reluta a envolver-se com pessoas, a menos que tenha certeza de sua estima; mostra-se reservado em relacionamentos íntimos, em razão do medo de ser envergonhado ou ridicularizado; preocupação com críticas ou rejeição em situações sociais; inibição em novas situações interpessoais, em virtude de sentimentos de inadequação; vê a si mesmo como socialmente inepto, sem atrativos pessoais ou inferior; extraordinariamente reticente em assumir riscos pessoais ou envolver-se em quaisquer novas atividades, porque estas poderiam ser embaraçosas.

Segundo HURLEY & BOBSON (1994), para lidar com seu medo os protetores aceitam responsabilidades pelas pessoas e situações, sentindo dessa forma, a certeza de que assim não serão excluídos e será feito o que é apropriado, e tentam conquistar as coisas que tem medo.

Assumem riscos calculados, são cautelosos e céticos para aceitar um conhecimento novo, preferem confiar no que é conhecido já que lhes falta confiança na habilidade de decidir.

Quando apoiados (pela lei, regras, tradição) ou lidam com suas responsabilidades no ambiente conhecido, tornam-se imperturbáveis, mas sem os sistemas de apoio sentem-se fracos e indecisos. Tem dificuldade em lidar com problemas repentinos, pois tem medo da crítica.

Tem relacionamento ambíguo com pessoas em posições de autoridade. Para sentirem-se seguros procuram uma autoridade e esperam dela a decisão sobre todos os problemas. Em contrapartida podem exibir uma teimosia expressa pela maneira que escolhem as leis que irão obedecer e quais irão contornar.

Sua força do diálogo está no senso de propriedade e responsabilidade, e a fraqueza na necessidade compulsiva de proteção, tomando todas as decisões baseadas no diálogo, o que revela a insegurança e a falta de autoridade interior que faz abdicar da responsabilidade pelas escolhas.

Têm dificuldade de confiar nos outros. São extremamente leais a família e aos grupos aos quais pertence, muitas vezes sendo protetores das tradições e da história familiar. Precisam estar ligados a família e espera que eles façam o mesmo, fazendo o que for necessário para isso. Ofendem-se se algo for ocultado deles, pois se sentem inseguros quanto a sua aceitação no grupo.

Se aceitassem a importância da autonomia, desenvolveriam a coragem. Quando aprendem a olhar para dentro, reconhecem seus pensamentos sem ficar na defensiva e encaram seus medos. Através da reflexão, descobrem o próprio valor, talentos e forças, e passam a confiar nos próprios pensamentos e opiniões e a valorizá-los.

 

HISTRIÔNICO / EGO 7 - SONHADOR

 

Os sonhadores segundo HURLEY & DOBSON, (1994) são orientados para os fatos, concentram o pensamento e os meios para tornar a vida mais fácil. Têm bastante energia e movimento às vezes atropelando os outros. Adiantados no reino das idéias quanto a sua época, são criadores das idéias e das fantasias, sempre buscando a solução perfeita para a dor do ser humano.

Sua prisão está no desconforto ou dor, buscam evita-lo, a motivação defeituosa é a busca de sentir-se bem e feliz. O problema básico de sua vida é torná-la melhor, seu vicio psicológico primário é a gula por qualquer coisa que faça sentir-se bem, são insaciáveis com o que lhes da prazer, podendo ser o trabalho ou apetites físicos.

A descrição do transtorno de personalidade histriônico no DSM IV é a seguinte: "Um padrão invasivo de excessiva emocionalidade e busca de atenção, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos". Existem outros critérios para avaliação, mas nem todos necessitam estar presentes: sente desconforto em situações nas quais não é o centro das atenções; a interação com os outros frequentemente se caracteriza por um comportamento inadequado, sexualmente provocante ou sedutor; exibe mudança rápida e superficialidade na expressão das emoções; usa consistentemente a aparência física para chamar a atenção sobre si próprio; tem um estilo de discurso excessivamente impressionista e carente de detalhes; exibe auto-dramatização, teatralidade e expressão emocional exagerada; é sugestionável, ou seja, é facilmente influenciado pelos outros ou pelas circunstâncias; considera os relacionamentos mais íntimos do que realmente são.

Para HURLEY & DOBSON, são otimistas compulsivos e irrealistas, acham que sempre há uma solução, buscando um novo plano para tornar tudo agradável sempre, na crença de que o plano perfeito levará a felicidade.

O anseio pelo prazer pode aparecer no desafio de aprender coisas novas, ficam atraídos por idéias novas, mas se acham incapazes de coloca-las em prática. A atração pelo novo diversifica seu interesse, juntamente com a falta de persistência pode impedir o sucesso.

Porém quando é para convencer alguém de suas idéias é muito persistente, sempre apresentando o plano de novas maneiras até que os outros o abracem, sempre tendo um plano de reserva onde está embutido o original.

Em organizações sociais deixam a liderança para os outros, levam seu humor e sua habilidade em equipe para apoiar o líder. Para DELISLE (1999), a pessoa histriônica pensa sobre ela mesma como alguém sociável e divertido para se estar.

No trabalho preferem funcionar em equipe, pois tem dificuldade em estabelecer metas de longo alcance e em lidar com situações difíceis. Também tem grande necessidade que todos gostem deles, e acabam concordando com coisas impossíveis de serem realizadas para fugir do conflito.

A sociabilidade, energia, criatividade e necessidade de flexibilidade os levam a serem empreendedores, mas necessitam de contratar outras pessoas para cumprir seus compromissos. Tem habilidade de comunicação, o que se encaixa perfeitamente em organizações arrojadas.

Valorizam muito seus relacionamentos familiares e com amigos. Para evitar a dor, nunca entram em contato com as segundas intenções neles mesmos ou nos outros. Mesmo quando percebem essas segundas intenções, justificam-nas e usam seu charme para tentar afastar as nuvens de discórdia.

Não entendem porque seus relacionamentos permanecem superficiais. Apresentam dificuldade para manter conversas profundas, esforçam-se para prevalecer à leveza e a generalidade. Com isso se tornam companhias agradáveis, mas devem desenvolver disciplina para ouvir os outros e não se tornarem tediosos. Gostam de ambientes confortáveis e luxuosos.

Dedicam amor a quem os leva a sério, pois não confiam em sua capacidade, mas como gostam de ser o centro das atenções e de fazer os outros rirem, são rotulados de palhaços.

Quando seus planos não são aceitos, a realidade é jogada sobre eles ou é dolorosa, tornam-se hostis, caem na autopiedade esperando que alguém cuide deles. Param de tomar decisões, sua vitalidade desaparece, atacam as idéias e protegem-se dos conselhos vindos de fora.

Se desenvolvessem a fortaleza, seria aberto o reservatório de dinamismo, capaz de levá-los a realizar seus sonhos.Quando refletem sobre os dados positivos e negativos sobre si mesmos e a realidade, reconhecem que não existem soluções fáceis. Descobrem a satisfação de serem levados a sérios e amadurece seu discernimento.

 

TRANSTORNO DA PERSONALIDADE SEM OUTRA ESPECIFICAÇÃO / EGO 8 - CONFRONTADOR

 

HARLEY & DOBSON (1994), escrevem que o confrontador concentra no mundo seus impulsos, sua força e sua espontaneidade. O desafio da vida o estimula, sendo energizado pelo papel de lutar contra injustiça. Dentro do rude exterior se esconde uma pessoa delicada, e fazer a ponte entre esses dois mundos é uma arte.

Sente-se preso num sentimento de fraqueza pessoal, e quer evita-lo. A motivação deficiente é o empenho em sentir-se forte. O problema básico de vida é o controle e o vício psicológico primário é a cobiça pelo poder e pela vida.

NARANJO (1996), usa a palavra "luxúria" para descrever o confrontador, para denotar a paixão pelo excesso. Lembra também que o numero 8 está em oposição ao numero 4 no eneagrama, caracterizado pela inveja. Sendo as duas personalidades opostas dentro do eneagrama, sugere que o ego 4 seria o mais sensível do eneagrama enquanto o 8 o mais insensível.

Acredita também que o Transtorno de Personalidade Anti-social descrito no DSM III seria um extremo patológico do ego 8, por esse caráter ser desobediente e rebelde. Entretanto as qualidades do confrontador descritas por BARON & WAGELE (1994), incluem: leal, protetor, realista e direto, características que não parecem fazer parte da personalidade anti-social. Na família é onde surgem as qualidades primorosas. Tem ternura pelas crianças, velhos e animais, e amor à natureza. Tem fortes laços e são protetores ferrenhos dos que lhe são caros, leais até o fim com os amigos.

Para os confrontadores a vida é um palco onde esparramam sua energia em todas as direções. É fácil identificar o seu poder, sua presença é imponente, não tem intenção de justificar suas idéias ou atitudes. Possuem idéias definidas sobre o que é justo e lutam para que elas prevaleçam, contra qualquer autoridade ou instituição.

Avaliam rapidamente quem detém o poder num grupo e juntam-se a ele, se não para se tornar o líder, para ter um aliado valioso ou adversário amistoso. Se cobiçarem o posto a luta começa. Possuem força, perseverança e esperteza, uma vez ganho é para sempre, pois tem um sentido tático inato.

No conflito se estão no lado da justiça ficam exultantes, o confronto os revigora. Ambiciosos, perseverantes em vencer obstáculos, têm intensidade e prazer de viver. Recusam-se a ficar doentes ou cansados, por considerarem sinal de fraqueza, mas se acontecer usam o fato para controlar e manter o poder seja gritando ordens ou fingindo desamparo.

Buscam a justiça primeiro para si mesmo, os outros podem se beneficiar depois disso. Tomam decisões facilmente e gostam de ter a última palavra. Quando necessário podem trabalhar com uma ou duas pessoas competentes. Gostam de lugares onde se acham no meio de ações, revigoram-se com a negociação inteligente e agressiva.

Dominam o poder das palavras, se usado de forma positiva reafirma, energiza e encoraja se usado de maneira negativa humilha e mina a autoconfiança das pessoas.

São eles que cuidam dos menos afortunados da vizinhança, gostam de usar sua enorme energia para ajudar os outros na prática. Dão de si generosamente para a família como um todo, mas não cedem a caprichos individuais. Não facilitam as coisas para ninguém, incentivam os outros a serem fortes e enfrentar as dificuldades da vida com responsabilidade. Tem padrões claros de justiça e cada um deve assumir a conseqüência pelo que faz, inclusive os menores. Mas serão defendidas se esse for o caso para a justiça ser cumprida.

Não são sensíveis aos próprios sentimentos e acham difícil a introspecção, interpretam a sensibilidade como fraqueza. Tem expectativas de obter amor, fama e dinheiro. Precisam de algo concreto que diga que tem o poder. Precisam desenvolver seu lado espiritual para que não fiquem perigosos.

Vivem com exigência excessiva de si mesmo e do ambiente. Destroem o que ou quem invade seu espaço. Quando sua estratégia de avançar é interrompida, quando as pessoas com as quais contavam minam seus esforços, redirecionam suas energias para um novo plano. Confiantes, tem uma determinação que deixa para trás aqueles que tentaram bloquear seu caminho.

Com essa descrição, observa-se que o transtorno mais similar a esse tipo de personalidade descrito no DSM IV é o Transtorno da Personalidade sem Outra Especificação, que serve para transtornos de personalidade que não satisfazem os critérios para qualquer Transtorno específico.

O ego 8 apresenta em diversos momentos características de transtornos diversos. O DSM IV é um manual descritivo e permite considerar as sobreposições de transtornos de personalidade em função de a pessoa apresentar traços ou características de mais de um transtorno.

O trabalho deve andar na direção de motivar o confrontador a adquirir maior compaixão através de relacionamentos pessoais, base da liberdade e justiça para todos. Dessa forma lutam para compreender as emoções e sensibilidade em relação às pessoas e a vida ao invés de ver isso como fraqueza. Transferem a ênfase da justiça pessoal para a coletiva.

 

PASSIVO-AGRESSIVA / EGO 9 - PRESERVACIONISTA

 

Reprimindo sua energia e poder para manter uma relação harmônica com o mundo, o preservacionista, segundo HURLEY & DOBSON (1994), se protege da vida, assumindo uma expressão passiva. Vive a vida como rei de um lugar sereno e sem conflitos.

Sentem-se presos ao conflito e querem evita-lo. Sua motivação deficiente os leva a buscar a paz. O problema básico de sua vida é despender energia e seu vício psicológico primário é a indolência, preguiça no âmbito pessoal.

DELISLE (1999), descreve um comportamento semelhante quando fala do Transtorno de Personalidade passivo-agressiva, que é descrita no DSM III - R. Essas pessoas parecem ser capazes de projetar a raiva em outra pessoa, dessa forma eles nunca são abertamente agressivos.

Eles têm a tendência de achar que demandas injustificáveis estão sobre eles. Procrastinam as coisas e as fazem sempre um pouco mais lentamente do que deveriam, especialmente se forem coisas que eles não querem fazer.

Essas pessoas têm dificuldade de assimilar apropriadamente o resultado de sua interação com o meio. Sua posição é frequentemente usada como provocação.

Levando esses dados em consideração percebemos que a semelhança entre o preservacionista e o passivo-agressivo está em uma das polaridades de sua personalidade. Ao mesmo tempo em que fazem tudo para manter a paz, na outra polaridade, apesar de aparentar passividade, buscam o confronto. Mas através de sua projeção, enxergam a agressividade no meio e não neles.

Somente procuram terapia se tiveram uma má avaliação no trabalho ou por questões conjugais. Esse cliente tem a tendência de negar seus desentendimentos.

São profissionais competentes, mas a repressão de sua energia e competência básica nega o acesso a capacidade de lidar com a vida. HURLEY & DOBSON concordam com DELISLE quando descrevem o preservacionista como uma pessoa que acha que os outros exigem demais deles, desconsidera a maior parte dessas exigências, acreditando que as coisas se resolvem por si mesmas. Independente do que os outros sintam ou pensem, ele fará o que desejar.

Tem um senso de radicalização e teimosia para manter o status quo. Dotados de um poder e de uma teimosia silenciosa, mantém as antigas maneiras com uma tenacidade indemovível.

Quando contrariados, ou exigidos mais do que querem dar, tem um comportamento passivo-agressivo que faz os outros correrem. Se a pessoa atingida pela raiva reprimida dele questiona suas intenções receberá um olhar de total inocência ou um muro de silêncio.

Evitam seus próprios problemas, mas gostam de resolver os alheios, não gostam de ser o centro das atenções, preferem ter a imagem do humilde servidor, amigo que não exige demais da vida e nem dos outros.

Gostam da rotina, ver as mesmas pessoas e fazer as mesmas coisas. Gostam também de passatempos triviais (jogos, hobbies), e quando participam tem estímulo para sair da paralisia interior. Em função disso são pessoas com propensão a apresentar transtornos de humor, de ansiedade e de ajustamento.

Aparentemente a falta de reação é o maior obstáculo para os colegas, evitam qualquer desconforto, caem no silêncio total se alguém faz uma pergunta ameaçadora. Esse silêncio incomoda as pessoas, que acabam por responder por ele. O silêncio é usado como arma de controle para manter a calma, e força os outros a lidar com os conflitos.

Tanto DELISLE como HURLEY & DOBSON concordam que essas pessoas tendem a esquecer compromissos, ir a algum lugar e não saber porque estão ali, ou qualquer ocasião que exigir planejamento ou esforço. Justificam suas faltas e erros se desculpando e achando que fica tudo bem. Quando são lembrados pelos outros ficam surpresos. Esse egoísmo é o maior obstáculo para expressar seu amor e bondade. A maneira de se defrontar com os outros é uma pergunta ou olhar malicioso, deixando a interpretação ao receptor.

Quando se defrontam com o conflito nos relacionamentos pessoais, ou pressionadas a realizar tarefas indesejáveis, assumem a incerteza, a rigidez e a intransigência. Com dificuldades de lidar com a tensão, destroem relacionamentos e com isso, diminuem sua auto-estima.

Quando aprende a criar relacionamentos honestos e mútuos evoca sua vitalidade, estabelecem e realizam objetivos. Refletem sobre sua vida, reconhecem a importância dele e do outro. O crescimento da auto-estima vem de relacionamentos inabaláveis. O trabalho inicial é identificar as causas do tumulto interior e lidar com elas.

 

CONCLUSÃO

Todas as comparações que foram feitas entre os tipos do eneagrama e os transtornos do DSM IV (DSM III-R) devem ser vistas sob a luz de um conhecimento esclarecedor fornecido por DELISLE (1999). Ele alerta para a diferença que deve se considerar entre os estilos de personalidade e os transtornos de personalidade. Nos estilos, a personalidade é uma forma de funcionamento da pessoa, que não necessariamente causa sofrimento para ela. Já nos transtornos além de sofrimento existem prejuízos sociais e profissionais em função do padrão de funcionamento da pessoa.

Também devemos lembrar que dentro do eneagrama existe um movimento que pode ser feito e as pessoas podem funcionar no seu melhor ou no seu pior.

De uma forma mais simples poderíamos dizer que existem graus de funcionamento, e quanto mais rígido e cristalizado for o padrão mais próximo de transtorno estará, quanto mais flexível, e quanto mais consciente a pessoa estiver de seu funcionamento, mais próxima de estilo estará.

Um estudo mais aprofundado merece ser feito na direção do diagnóstico e tratamento dos estilos e transtornos de personalidade. Entretanto fica claro que o diagnóstico descritivo parece ser mais eficaz no resultado de uma terapia que considera o processo de conscientização, aprendizagem e mudança do que um diagnóstico onde se preocupa com a causalidade do problema.

Existem muitas formas de diagnosticar ou descrever o padrão de funcionamento de uma pessoa. O DSM IV tem uma visão descritiva dos transtornos de personalidade, e várias possibilidades de sobreposição de transtornos. Da mesma forma, no eneagrama também existem variáveis que flexibilizam as descrições dos diferentes tipos como: as asas, os centros preferidos, a abordagem de solução de problemas e outras, que dependendo da configuração que se forma, revela um indivíduo totalmente singular. O Eneagrama tem se mostrado uma eficiente ferramenta para está análise por mostrar com clareza quais são os pontos importantes a serem trabalhados

Muitas conexões entre os transtornos do DSM IV e o eneagrama devem existir sem ter sido exploradas nesse trabalho. Uma investigação mais detalhada e com possibilidade de comprovação em uma pesquisa de campo pode ser útil e inovadora, colaborando com o avanço da psicologia clínica em geral.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARON, R. e WAGELE,E. Eneagrama um Guia Prático. Ediouro S. A, Rio de Janeiro, 1996.

DELISLE, G. Personality Disorders. Les Editions du Reflet, Ottawa, 1999.

HURLEY, K. & DOBSON,T. Meu Eu Melhor. Mercuryo, São Paulo, 1995.

HURLEY, K. & DOBSON,T. Qual é o Meu Tipo? Mercuryo, São Paulo, 1994.

LELORD, F. & ANDRÉ C. Aprendendo a Conviver com Pessoas Difíceis. Editora Ática, São Paulo, 1996.

NARANJO, C. Os nove Tipos de Personalidade. Objetiva, Rio de Janeiro,1996.

SOUZA, j. O & HEREK, L. & GIROLDO, W. M. F. Diagnóstico em Gestalt-Terapia: Possibilidades. Dissertação de Pós-graduação em Psicologia Clínica - Universidade Tuiuti do Paraná, Curitiba, 2000.

Site: Uma Bússola Completa / 2002